Picos exporta mel para Estados Unidos e Europa

Com os resultados na região, Piauí passou a ser o terceiro maior produtor de mel do Brasil


20/09/2009 - 9:13 - Efrém Ribeiro / Portal Meio Norte
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O Piauí passou a ser o terceiro maior produtor de mel do Brasil e isso não é apenas um número, uma posição no pódio. Isso chega na ponta, nos apicultores. Com a venda do mel, apicultores de Santana do Piauí (325 km de Teresina), ganharam neste ano de R$ 3,5 mil a R$ 9 mil. E não estamos falando de muito tempo para se ganhar isso. É remuneração de quatro meses de trabaho, na verdade de manejo, já quem trabalha, e muito, são as abelhas.

Os apicultores de Santana do Piauí fazem parte de uma rede de cooperativas de pequenos produtores de mel da região do Território de Desenvolvimento Vale do Rio Guaribas que tem uma central, a Casa Apis, em Picos.

São quatro meses de efetivo trabalho. Tem a colheita de fevereiro a março da florada da mata e de maio e junho, que é a da florada rasteira, de flores de vegetação que nasce no meio das lavouras como a vassourinha e a jitirana.

Apicultor de Santana do Piauí com 200 colméias e rendimento neste ano, com a venda de mel, de R$ 9 mil e agente de desenvolvimento rural sustentável, Antônio José de Moura afirma que a Casa Apis produziu no ano passado 600 toneladas de mel e neste ano exportou 250 toneladas do produto para os Estados Unidos e no próximo deverá exportar de 300 a 500 toneladas para a União Européia.

“Vamos também fracionar a nossa produção para vender no mercado nacional o mel em saquê e em bisnagas”, falou Antônio José de Moura.

O governador Wellington Dias informou, em Picos, que será inaugurado no início de outubro na cidade o Centro Tecnológico do Mel para desenvolvimento de tecnologia e práticas de manejo mais eficientes para o aumento da produção e maior rendimento dos apicultores.

A apicultura é uma atividade complementar de agricultores e funcionários públicos que estão ganhando cada vez mais dinheiro com a produção do mel e cada vez mais empenhados na atividade, que deixou de ser explorada por atravessadores e está sob o controle de coooperativas. O quilo do mel, que era vendido para atravessadores a R$ 2,00 ou R$ 2,50 é vendido agora por R$ 3,60 pela Casa Apis.

O auxiliar de serviços gerais de Santana do Piauí Ronaldo José de Araújo, de 34 anos, diz que tem 50 colmeias na Serra Caldeirão do Luiz, a 30 qulômetros da zona urbana do município. Ele conta conseguiu coletar 1 tonelada de mel este ano e ganhou R$ 3,5 mil.
“Se a gente conseguisse produzir o ano inteiro era muito bom. A gente ia ganhar muito dinheiro”, falou Ronaldo José, que também possui colméias na Chapadinha da Alagoas, que fica perto do centro de Santana do Piauí.

Os apicultores de Santana do Piauí produziram neste ano 12 toneladas de mel. A região tem as flores que as abelhas mais gostam para extrair o néctar. Nas matas e serra do município existem aroeira, marmeleiro e outras espécies da mata nativa que atraem as abelhas.

As colméias artificiais atraem as abelhas que passam a produzir mel para os humanos.

“O dinheiro que a gente ganha vai ajudar no sustento de nossas famílias, na compra de medicamentos e de alimentos”, afirma Marcelo Roberto Leal, de 21 anos, apicultor e lavrador que colheu neste ano 42 baldes que somaram uma tonelada de mel.

Os apicultores de Santana do Piauí quando vão manipular as colméias e melgueiras usam foles ou fumegadores para espantar as abelhas e o mel seja retirado das colméias e sejam levadas para um posto da Casa Apis no município. Retirada a cera, as melgueiras são colocadas dentro de uma centrífuga e retirado o mel, que sai muito grosso caindo diretamente em um balde.

“Aproveitamos a cera bruta para trocar pela cera aviolada, que serve para atrair novas abelhas para a colméia e acelerar a produção das abelhas quando colocada nas melgueiras”, falou o apicultor José Milton de Moura, que tem 200 colméias.

Eles produzem mel orgânico, devidamente certificado. As abelhas servem até para reduzir dores de colunas dos apicultores. O apicultor Vicente de Paula tem problemas na coluna vertebral,onde tem duas hérnias de disco. Quando as dores ficam fortes, Vicente de Paula pega uma abelha e coloca na coluna vertebral.

Quando recebe a ferroada da abelha a dor é forte,mas fica sem dores por causa do veneno do inseto que tem esse efeito medicinal.

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